Morte de criança de 1 ano e 5 meses em incêndio choca Criciúma

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O clima foi de muita tristeza e consternação por conta da morte, violenta e precoce, da pequena Maria Victória Beninca Rodrigues, de um ano e cinco meses.

O bebê foi carbonizado durante um incêndio em residência, na manhã da última sexta-feira(28), no bairro São Marcos, no Distrito de Rio Maina, em Criciúma. As causas do sinistro na casa, de cerca de 50 metros quadrados, mista, de madeira e material, ainda são apuradas, mas acredita-se que o fogo tenha iniciado em função de um curto-circuito, já que a energia do local era irregular, o popular “gato”, e um vizinho a teria desativado no dia anterior, segundo apuração inicial da Polícia Civil. A queda de uma vela acesa também foi levantada como hipótese, mas nada foi confirmado, até então.

Como de costume, os pais saíram para trabalhar com destino ao município vizinho de Nova Veneza, no Distrito de Caravaggio, e deixaram a pequena sob os cuidados da tia e da avó paternas, que são vizinhas. A irmã mais velha, de oito anos, costuma ir para escola com a mãe, que se desloca um pouco depois do marido, que sai de casa em torno das 5h.

“A tia e a mãe, avó da menina, foram até a casa, viram que a criança estava bem, dormindo, que estava tudo certo. Porém, a avó começou a passar mal, teve uma queda na pressão, e retornaram. Em seguida, não muito tempo depois, elas escutaram alguns estalos e, quando viram, a casa já estava pegando fogo. A avó tentou salvar a neta, apagar o fogo, mas foi tudo muito rápido e ela chegou ainda a sofrer uma queimadura na mão. Foi uma fatalidade”, conta o agente da Polícia Civil de plantão, que atendeu a ocorrência, Kelson Olivo.

Devido ao momento de choque e luto, nenhum procedimento foi adotado formalmente referente à atuação da Polícia Civil, mas, no início da próxima semana, um inquérito policial deverá ser instaurado na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) para formalizar o caso, como também para constatar a real causa do sinistro, que será apontada após conclusão da perícia, tanto do Corpo de Bombeiros como do Instituto Geral de Perícias (IGP), que estiveram no local.

Corpo estava no chão

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O corpo do bebê foi encontrado já no chão pelo Instituto Médico Legal (IML), indicando que a criança tenha ainda tentado se salvar, já que, minutos antes, estava na cama dormindo, no quarto, que fica nos fundos do imóvel. O pequeno cadáver, totalmente carbonizado, foi liberado pelos próprios pais, ainda em choque, na tarde de ontem, do IML.

Por conta da carbonização, o IML solicitou exame de DNA para confirmar documentalmente a identidade da vítima, procedimento padrão do órgão em caso em as vítimas ficam irreconhecíveis, não sendo possível a confirmação visual. O material genético foi coletado e será confrontado no Instituto de Análises Forenses (IAF), que também pertence ao IGP, em Florianópolis.

Ocorrências que marcam até os mais fortes

Ocorrências que resultam em óbito, especialmente de crianças, costumam chocar aqueles que, mesmo escolhendo a profissão voltada à área de segurança, não se acostumam com as fatalidades que possam surgir durante o trabalho. Na sexta-feira pela manhã, o semblante de policiais, bombeiros e servidores do IGP não escondia a tristeza, em meio também à dor sentida por familiares, que se fizeram presentes, e os vizinhos, também incrédulos e com a sensação de impotência, sendo que alguns até tentaram fazer algo para impedir, mas não conseguiram driblar a força do fogo.

Bombeiro atendeu caso semelhante

Este foi o segundo caso que o cabo do Corpo de Bombeiros Vasco Cavalheiro atendeu ao longo de oito anos de corporação. “É muito triste. Quando chegamos, não tinha muito o que fazer. Estava tudo queimado. Este é o segundo acidente tendo como vítima uma criança, e carbonizada, que atendo e mexe bastante com todos”, frisa. Foi o cabo Cavalheiro quem também atendeu um incêndio – este, porém, criminoso – no Bairro Vila Rica, em 2013, quando a avó e a neta, de nove anos, morreram carbonizadas.

Ao todo, o trabalho das forças de segurança no local perdurou por mais de duas horas, entre rescaldo dos bombeiros, perícia, recolhimento do cadáver e atendimento aos familiares. Para conter as chamas, evitando que elas se espalhassem, como também para o trabalho de rescaldo, os bombeiros utilizaram em torno de 9 mil litros de água.

Criciúma conta com somente uma sede dos bombeiros

A fatalidade da morte do bebê levantou outra questão: a da cidade de Criciúma, com uma área extensa, com mais 200 mil habitantes e com ocorrências em elevação, ter somente uma unidade do Corpo de Bombeiros, que fica na área central, na Rua Dolário dos Santos.

A intenção do comando local era de criar dois novos postos avançados na cidade. Um deles ficaria no Rio Maina e outro no Bairro Próspera, para agilizar e desafogar os trabalhos, mas, até então, o projeto não saiu do papel. O problema esbarra não somente na falta de efetivo, como na falta de investimentos em infraestrutura. Há relatos de que alguns serviços só são ainda possíveis de efetuar graças ao trabalho solidário dos bombeiros comunitários/voluntários.

Morro da Fumaça não tem plantão

Na Região Carbonífera, o Corpo de Bombeiros de Morro da Fumaça, por exemplo, não tem plantão. Os bombeiros só atendem até as 20h, devido à falta de efetivo. Inclusive nesta semana houve mobilização do Poder Legislativo do município para retomar o atendimento 24 horas à população.

Conforme informou o sargento Renato Bonelli em material divulgado pela assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores fumacense, seria necessária a contratação de pelo menos sete bombeiros para atender a demanda. “Muitos bombeiros se deslocam para trabalhar em outras cidades e o Estado não tem projeção de reposição”, disse.

Em relação a Criciúma, alguns bombeiros desabafaram à reportagem. “É um absurdo uma cidade deste porte com apenas uma unidade do Corpo de Bombeiros. O Rio Maina já deveria ter uma há tempo. Um caminhão, de toneladas, que quase não sai no chão de tão pesado, leva tempo para chegar ao Rio Maina. Em todas as ocorrências de incêndio, pode ter certeza, o Rio Maina é prejudicado. E precisava infelizmente acontecer algo desta magnitude para isso ser constatado. Se tivesse uma unidade próxima, quem sabe teríamos, ao menos, uma chance de salvar esse anjo”, lamentaram.

Talise Freitas – Clic A Tribuna.

 

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