Secretaria de Estado da Saúde capacita profissionais para notificação de intoxicações por agrotóxicos

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As Diretorias de Vigilância Sanitária (DIVS) e Epidemiológica (DIVE), da Secretaria de Estado da Saúde (SES), promovem nos dias 3 e 4 de dezembro a Capacitação em Vigilância Epidemiológica, Monitoramento e Avaliação das Intoxicações por Agrotóxicos.

“Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, para cada caso de intoxicação por agrotóxico comunicado, outros 50 não são notificados. Nosso objetivo com essa capacitação é discutir as ações de vigilância epidemiológica na área e preparar profissionais da saúde a fim de reduzir a subnotificação”, explica Nadmari Grimes, responsável técnica pelo Programa Estadual de Vigilância Epidemiológica das Intoxicações.

O curso será realizado no Praia Brava Hotel, em Florianópolis, e está integrado à proposta de vigilância em saúde de populações expostas a agrotóxicos em Santa Catarina. A iniciativa segue o plano norteador do Ministério da Saúde, que orienta o desenvolvimento de trabalho contínuo para esse público-alvo.

O modelo de vigilância de populações expostas a agrotóxicos, os aspectos epidemiológicos das intoxicações e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, estão entre os temas contemplados na programação.

Além disso, questões sobre diagnóstico, tratamento das intoxicações e envenenamentos serão abordados pela coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) de Santa Catarina, Marlene Zannin. Essa etapa inclui visita ao CIT, órgão da Secretaria de Estado da Saúde que funciona junto ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O Centro mantém serviço de plantão 24 horas para orientar profissionais, principalmente médicos dos centros de saúde e das emergências hospitalares.

Intoxicação por agrotóxicos em Santa Catarina

Com o objetivo de traçar um perfil epidemiológico dos casos de intoxicação por agrotóxicos em Santa Catarina, a Gerência de Vigilância de Agravos da DIVE fez uma revisão dos casos no período entre 2007 e 2012.

Foram avaliados 1.710 casos notificados no Sinan.  O maior número foi registrado em 2009, em municípios com população abaixo de 10 mil habitantes. Entre as macrorregiões com residências mais afetadas estão o Planalto Norte (11,8 casos a cada 100 mil habitantes) e o Vale do Itajaí (9,1 casos a cada 100 mil habitantes).

Na distribuição por faixa etária, o maior número de intoxicações ocorreu na população economicamente ativa, de 20 a 49 anos (62%). Os homens somam 68% dos atingidos. Mais da metade dos casos ocorreu na zona rural.

As contaminações mais frequentes foram acidentais, chegando a 39,9% das notificações. Em seguida estão tentativas de suicídio, com percentual de 26,6%. Entre os pacientes atendidos, 93,7% foram curados e 2,5% morreram.

O agrotóxico mais utilizado foi o herbicida, que aparece em 46,5% dos registros. Esse produto químico é usado no cultivo de grãos e oleaginosas, para o controle de ervas daninhas. Em segundo lugar, com 31,2% de incidência, está o inseticida usado no combate a insetos, destruindo ovos e larvas no plantio agrícola e também em residências.

Ana Paula Bandeira – Secretaria de Estado da Saúde

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